Ferri, Sabrina
Ferri, Sabrina
Sabrina Ferri nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, escreve e fala com a sensibilidade de como quem nasceu dentro das histórias. Dessas pequenas, que compõem o Cronicada. Das que acontecem no elevador, numa sala de espera, numa lembrança atravessada no meio da tarde, numa frase escutada sem querer num café. É dali que ela tira matéria-prima.
Cronista dedicada e de temperamento calmo como o oceano, Sabrina pertence a essa espécie de gente que ainda observa antes de opinar. Talvez por isso seus textos tenham menos pressa do que o mundo. Ela escreve sobre livros, afetos, silêncios, vergonha, humor involuntário, encontros improváveis e sobre os detalhes que normalmente passam despercebidos por quem vive ocupado demais tentando parecer alguma coisa.
Há mais de 17 anos convive com uma lesão medular. Mas reduzir sua escrita a isso seria como resumir um romance pela lombada. A deficiência e a vida compartilham espaços nos seus textos: às vezes no centro iluminado de uma sala, outras no canto escuro da outra. Sabrina escreve sobre acessibilidade, inclusão e autonomia sem transformar nenhuma dessas palavras em discurso decorativo. Existe experiência ali. Aquela que não grita. Cala.
Leitora obsessiva, acumuladora de frases e almofadas, conversas e cenas, ela transita entre a literatura, o cinema, as crônicas narradas e as observações do cotidiano com uma familiaridade quase íntima. Seus textos carregam um tipo de sensibilidade única que podemos espiar através deste DoomScrollr.
O Cronicada nasceu desse impulso: criar um lugar onde as palavras possam respirar um pouco mais devagar. Um espaço para crônicas narradas, pensamentos soltos, literatura, voz e presença. Um lugar para quem ainda acredita que escutar alguém lendo um texto pode mudar discretamente o rumo de um dia.
Sabrina Ferri vive ouvindo o quanto as pessoas se reconhecem nela, deve ser porque não finge por um segundo que já entendeu tudo nesta vida.